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Regentes Corais amam cantar.

De acordo com minha observação, praticamente a maioria dos regentes brasileiros, não têm oportunidade de cantar num coro durante a semana. Somos cantores cheios de vigor esperando uma chance para soltar a voz!

Muitas vezes o regente considera que cantar com seus coros é uma oportunidade única de mostrar sua “versão cantor”.

Ou então bate aquela insegurança e achamos que se não dermos aquela “forcinha” cantando com o naipe, a música não sai.

Pode ser que você já tenha identificado alguns problemas em seu próprio modo de ensaiar e esteja disposto a fazer uma transição para outras abordagens de ensaio que façam seu coro chegar ao próximo nível. Cantar o tempo todo com seu coro pode ser um desses problemas!

Por princípio e por coerência da concepção do trabalho, o que for feito nos ensaios deve ser refletido e repetido nas apresentações. É assim que se prepara um coro seguro para o palco.

 

Se você ensaia cantando o tempo todo com o seu grupo, não pense que na hora da apresentação você vai fechar a boca e as coisas vão acontecer! 

 

Pense nas seguintes situações:

Situação 1: No dia da apresentação você descobre que está completamente afônico! Não há como desmarcar o compromisso e não cumprir a data com as partes envolvidas. Mas seu coro está acostumado a cantar apenas se ouvir sua voz junto em alto e bom som! Ou seja: a apresentação está terrivelmente comprometida porque você não poderá cantar junto. Como você resolve esta questão?

Situação 2: Numa apresentação, o áudio do seu coro foi captado por um excelente microfone, muito bem posicionado no ambiente. Ao ouvir a gravação você descobre uma voz estranha que se destaca e por vezes encobre trechos da música…esta voz… é a sua! Decepção total, a gravação não pode ser usada para divulgar seu trabalho nas redes sociais. Uma oportunidade de registro foi perdida! 

Situação 3: Você está regendo uma peça polifônica, (Bach, Handel ou Palestrina, por exemplo) com um contraponto extremamente complexo. Imagine a confusão que você pode criar para os naipes do coro se você estiver cantando a linha de outra voz? Socorro!

 

Acredite situações como estas acontecem! Portanto, não é exatamente uma boa estratégia ancorar o som do coro na sua própria voz 100% do tempo. 

 

Não Cantar Com o Coral

POR QUE NÃO CANTAR COM O CORO

É uma prática adotada por regentes, geralmente, em países com tradição coral mais desenvolvida ou de fato, consolidada. Os cantores têm segurança em cantar sozinhos pois receberam instrução musical na educação formal além de ter referência sonora de bons coros. Muitos também foram ou são instrumentistas.

Neste cenário, não é necessário o duplo desgaste do regente em cantar e reger. Há bons regentes no Brasil que trabalham desta forma, em ilhas culturais de coros profissionais ou semiprofissionais. Na Academia Concerto adotamos este princípio.

A neurociência confirma: nosso cérebro consegue realizar bem uma tarefa de cada vez com precisão, foco e concentração. Ou você rege bem ou você canta bem. Cada vez que você começa a cantar com o coro, você tira o foco do seu cérebro em ouvir com precisão, em detectar problemas, manter o pulso, preparar entradas e cortes, fraseados, dinâmica, equilibrar os naipes e tudo mais que um regente de um coro de alto nível precisa estar atento. O regente tem que estar livre e focado para conduzir de fato a música e terá a exata noção do som que o próprio coro tem.

Quando o regente não precisa sustentar seu coro com a voz ele fica livre e focado para construir sua interpretação da obra, a partir de sua concepção inicial. (leia AQUI meu post sobre Técnica de Ensaio).

Quando o coro canta por ele mesmo, o blend vocal é mais “honesto” e os próprios cantores tem segurança do som que são capazes de produzir. Isso vai contribuir na afinação, no timbre, auto estima e, acima de tudo, na construção de uma personalidade e identidade sonora do coro. 

Regencia sem cantar com o coral

O Regente

Já escrevi muito sobre o coro e agora é hora de conversarmos sobre você!

Ainda dentro do assunto sobre a capacidade do cérebro em executar duas tarefas ao mesmo tempo com precisão, quando você canta enquanto rege, a probabilidade de cantar errado ou cantar mal é muito maior! Justamente porque seu foco está na direção do coro e não no canto. Cantar desafinado, com notas e texto errados, sem o timbre e colocação corretos ou errar entradas pode derrubar seu coro em vez de ajudar!

Além disso, se estiver preocupado em sustentar o coro com a voz,  instintivamente criará uma dependência maior da partitura e diminuirá o contato visual com o coro.

Já notou como a sua voz gravada é diferente daquela que costuma ouvir “dentro” de si ao cantar? Isso se dá porque temos um “ouvido interno” que nos dá um tipo específico de referência auditiva. Se você canta com o coro num nível em que o volume da sua voz “interna” encobre o som do coro, sua precisão como regente para perceber problemas e erros será bastante prejudicada!

A mesma dependência da voz cantada pode acontecer com o regente. Infelizmente alguns regentes simplesmente não conseguem reger sem cantar junto! Quando isso acontece, geralmente é resultado de deficiências técnicas na regência. A voz é utilizada para suprir a falta de gestual, segurança, liderança ou comunicação com o coro. Então colega, é hora de estudar!

Outro problema do regente cantar com o coro é que não existem “super-regentes” que cantem a extensão das 4 vozes com perfeição. Então imagine uma regente de voz aguda cantando o tempo todo com o naipe dos baixos. Ela vai criar uma nova linha paralela soando duas oitavas acima!  Além de não ajudar os baixos vai acabar atrapalhando sopranos e contraltos! Ou então um regente de voz grave que canta junto com os tenores sem chegar nas notas agudas. Socorro!

 

O regente lidera o coro através da regência e não da voz!   

 

Se o seu coro não está afinando, mantendo o andamento, entrando na hora certa ou acertando o texto, não será cantando com eles que você corrigirá isso!

>PARE

>IDENTIFIQUE A ORIGEM DO PROBLEMA – (técnica vocal, percepção, gestual ou outra área)

>BUSQUE FERRAMENTAS DE ENSAIO PARA SOLUCIONAR O PROBLEMA

SEM PREGUIÇA!!

 

Em vez de tentar corrigir a afinação do coro cantando por cima dos naipes, que tal clicar e dar uma olhada nos posts sobre afinação?

 

Parte 1Parte 2Parte 3

 

 

 

TRÊS DICAS ÚTEIS

1


Compre uma máscara cirúrgica na farmácia ou loja de produtos médicos e, num determinado ponto do ensaio, coloque. Explique que você vai reger com a máscara e que o mais importante é que sigam o gestual, o olhar e a linguagem corporal sem sua voz ou qualquer indicação com os lábios. Em seguida, ensaie uma peça do início ao fim e indique tudo com seu gesto. Estranhamentos à parte, o coro conseguiu cantar até o final? Você e seu coro estavam seguros o suficiente?

 

Ensaiar coral sem cantar

 

2


Experimente reger atrás de um biombo ou quadro que cubra apenas seu tronco e rosto, de forma que apenas seus braços apareçam e fiquem livres para a regência. Faça como na dica 1! Através do gesto, o regente deve, sim, respirar e indicar as respirações para o coro, bem como todas as dinâmicas e outras indicações importantes.

 

3


Combine com o próprio coro – ou alguns cantores com os quais você tenha mais liberdade – para avisarem quando você estiver cantando junto! Quando estamos regendo ou ensaiando adquirimos vícios e muitas vezes não percebemos. Gravar os ensaios para autoanálise posterior, também ajuda a filtrar o quanto você está cantando com o grupo! (Leia AQUI meu post sobre Ferramentas Digitais Para Ensaio)

 

Quando cantar?

Veja bem, cantar com o coro não é proibido! Você não pode é deixar o coro dependente da sua voz para cantar.

A voz do regente ainda é o principal e melhor instrumento de ensino para o coro. Através dela é possível, além de ensinar as notas, moldar o som de acordo com a concepção da música que está dentro de você. A voz do regente é a referência para o timbre e a “cor” do coro. Com o canto você ensina e corrige dinâmicas, fraseados, acentos e outros elementos musicais.

A Expressão facial é um dos canais de comunicação dos regentes com o coro. O uso da boca na expressão facial (mímica),  é pertinente na regência  quando é incorporada como expressão facial  e não como canto propriamente.

Reger Coral com Expressão Facial

Indicar o texto através da mímica é um procedimento mais usado por regentes de coros profissionais e regentes orquestrais quando há programas com coro sinfônico. Até pela distância entre o regente e o coro, que geralmente está posicionado atrás da orquestra, é muito importante indicar as principais entradas com os lábios. Ajuda muito principalmente nas peças em língua estrangeira. 

Para conseguir um ataque inicial preciso é importante respirar com o coro e, neste caso, a mímica com a boca no início da peça se faz necessária.

Você pode usar o canto como apoio para ajudar naipes inseguros durante os ensaios.  Principalmente em coros iniciantes ou desfalcados. Nas apresentações podem ocorrer situações onde a sua voz seja a solução. Em ambos os casos a sua voz entra como uma ferramenta pontual, de maneira objetiva e limitada.

Agora, quando seu coro tiver total domínio da peça e estiver se saindo bem no palco, você pode até “cantar” com eles (sem que a projeção da sua voz interfira na sua escuta interna ou no som do coro)! Assim poderá curtir o momento com seus cantores e reforçar a cumplicidade e a sinergia no palco!

 

LEMBRE-SE


Quando você se torna mais um cantor do coro, isso é prejudicial para o som do grupo. Isto significa em tese que o coro não tem regente. Não cante COM o seu coro, mas ATRAVÉS dele!

Se todos são cantores…para que regente, então?

 

Na próxima semana tem mais,

Até breve!

 

Aproveite os comentários abaixo…deixe seus resultados, dúvidas ou me sugira temas relevantes para novos posts!

 

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Sou Lana Bernardes, maestrina

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Tive minha primeira experiência com a regência coral aos 11 anos no coro juvenil da igreja, numa substituição de emergência. Depois daquele, muitos outros finais de semana vieram em que tive que responder: “Não posso sair…tenho ensaio!”. Durante esse tempo construí minha experiência como coralista e regente, investindo na minha paixão pelo canto coral. Sou graduada em Regência Coral, uma das fundadoras da Academia Concerto, onde tenho a oportunidade de treinar e ajudar pessoas comuns a chegar aos palcos e até representar o Brasil em Festivais Internacionais. Atuo ainda como Empreendedora Digital e sou especialista em levar seu coro ao próximo nível, sem perda de tempo e com qualidade!

 

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3 comentários em “Regente: cantar ou não cantar, eis a questão!

  1. Estou iniciando uma tarefa difícil pois estou regendo o coral da igreja agora,
    É estás informações pra mim foi de muita utilidade pois estou aprendendo a gora está é minha primeira vez sem tive o sonho de cantar e reger mas como não consigo mais cantar como cantava antes decidi reger , então por isso gostaria muito que vocês me desse umas dicas como devo reger bem conto com sua dicas pra eu aprender e fazer um bom trabalho com o caral ok bjos.😙

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    1. Que bom Leonida! Ficamos muito felizes que nosso conteúdo esteja ajudando seu coro. Siga firme! Visite nosso site e procure a Academia de Regência. Faça contato e vamos ver como nossos maestros podem ajudar você.

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