Blog Academia ConcertoOlá, tudo bem?

Este é o meu segundo artigo sobre o tema repertório (se ainda não leu o primeiro, clique AQUI) e neste, quero conversar sobre uma “armadilha” muito comum no repertório dos coros brasileiros.

Começo com uma constatação:

Tenho trabalhado por mais de 30 anos com Música Coral sendo cantor, regente, aluno e professor de regência, ouvido coros das mais diversas naturezas e formações em concertos, aulas, oficinas e festivais. Percebi que a maior parte do que se canta hoje é um repertório que está concentrado em arranjos e versões da MPB dos anos 60, 70 e início dos 80!

Não foi apenas uma vez que ouvi, numa apresentação em Festivais ou Encontros de Coros, a mesma peça de MPB com o mesmo arranjo cantada por 3 dos 5 coros que se apresentaram naquela noite!

Veja bem, isto não é uma crítica, mas uma constatação! Nossa MPB é musicalmente riquíssima, linda, conta uma página de nossa história e precisa ser cantada e contada!

Todos os coros da Academia Concerto têm em seus repertórios alguns destes arranjos.

Clique aqui e visite as páginas de repertório dos coros da

Academia Concerto:

REPERTÓRIO CORO ACADEMIA CONCERTO

REPERTÓRIO CAMERATA VOCAL

REPERTÓRIO CANTILENA

REPERTÓRIO JOVEM CANTO

Sair da Zona de Conforto Com Rpertório
Você precisa arriscar mais com o repertório e sair da “zona de conforto”.

Mas o que me chamou atenção é: POR QUÊ ESTE REPERTÓRIO?

Parei para analisar e cheguei a algumas conclusões:

1. Há uma geração de regentes em plena atividade, na faixa dos 40, 50 e 60 anos. Isso quer dizer que nossa (eu me incluo nisso) infância, adolescência e juventude foram impactadas por este repertório e é natural que esta seja a referência ao escolhermos músicas.


2. Existe uma tendência natural de regermos o que conhecemos, temos familiaridade com a estética, estrutura, sonoridade e principalmente significado das letras. Além da “comodidade” e facilidade que isto traz, há os aspectos de identificação pessoal, afetiva, memória e saudosismo (este último perigosamente forte).


3. Da mesma forma que os regentes, a maioria das pessoas que cantam em nossos coros hoje é formada de pessoas da mesma faixa etária (entre 40 e 60 anos) que descrevi acima e portanto, tem a mesma relação de identificação com este repertório.


4. Fazemos Música Coral num país em que a Educação Musical, quando existe, é muitas vezes, deficitária. A maioria das pessoas que participam de nossos coros tem dificuldade em ler e cantar música “nova”. Este fator é outro responsável pela “acomodação” a um repertório de “música conhecida”, que “facilita” o trabalho da maioria dos regentes.

Regência Coral Repertório
Ficar preso a um estilo de repertório, limita sua regência.

5. Sobre Educação Musical aponto que a falta de acesso a uma formação musical adequada, capacitação, reciclagem e especialização, faz com que muitos regentes se sintam limitados a reger um repertório diferente daquele com o qual já costumam trabalhar por anos.


6. A falta de um mercado editorial no Brasil que edite, produza e distribua uma variedade maior de repertório, para suprir os regentes e seus coros, faz com que uma das únicas fontes de repertório seja a troca entre os regentes. Isso gera um círculo vicioso onde o repertório que “gira” acaba sendo o mesmo.


7. Os regentes e cantores de uma geração mais nova acabaram “herdando” este repertório como referência. Cresceram ouvindo e cantando esses arranjos. Vejo muita gente com idade abaixo dos 30 anos desconhecendo totalmente que existe um repertório de Música Coral Brasileira que não seja baseado na MPB.


8. Por último, o público colabora também com esta acomodação de repertório. Mais uma vez o fator perfil etário influencia muito. Boa parte do público que aprecia Música Coral, é igualmente de pessoas com forte influência da música desta época específica. Portanto, fica fácil agradar este público. Isso deixa coros e regentes numa posição muito cômoda.

Temos, então, o seguinte tripé de comodidade que monta o que eu chamo de “Armadilha de Repertório”:

CONFORTÁVEL para o regente

CONFORTÁVEL para o coro 

CONFORTÁVEL para o público

                                                                                       

Pronto! Está feito o estrago!

CONFORTÁVEL para o regente – não requer um trabalho de pesquisa, análise, estudo e preparação de novo material para ensaios.

CONFORTÁVEL para o coro  não requer um grande conhecimento musical e técnico para a leitura já que é conhecido.

CONFORTÁVEL para o público – não requer familiaridade com novas músicas, sonoridades e linguagens musicais para apreciar uma apresentação.

armadilha de repertório
Comodismo pode te prender a um estilo de repertório que atrofie o desenvolvimento do coro e de sua regência!

Sabe aquele ditado que diz: “em time que está ganhando não se mexe”?

Pois neste caso ele não se aplica!

Os efeitos desta “Armadilha de Repertório” não serão benéficos nem para o seu coro, nem para seu público e principalmente para sua regência!

Se você leu meu primeiro artigo sobre repertório (clique AQUI), para lembrar da analogia do prato colorido para o repertório do coro. Ao ser pego nesta “Armadilha de Repertório” vai ficar preso num leque muito restrito de opções e a tão saudável variedade, não acontecerá.

PRESTE ATENÇÃO:

Eu usei a MPB como exemplo de “Armadilha de Repertório” mas ela se aplica a outros repertórios em que é fácil que a acomodação gere este problema.

A Música Sacra é uma delas. Quem trabalha com coros de igrejas (uma grande parte dos coros no Brasil) pode passar por este problema também.

Já os que trabalham com Coro Infantil são outras “vítimas” em potencial desta armadilha. Até porque, a escassez de repertório para esta área é ainda maior do que para coro adulto.

É fundamental parar e analisar o que você tem cantado com seu coro e verificar se não está preso nesta “Armadilha de Repertório”!

zona de conforto repertório coral
Saia da zona de conforto com o seu repertório

Existem alternativas para que eu amplie e diversifique o meu repertório?

Sim ! Existe muita Música Coral Brasileira para ser cantada pelo seu coro.

Será que meu coro vai gostar ou conseguir ampliar o repertório?

Claro que sim! Como temos escrito constantemente em nossos artigos: tudo é uma questão de estratégia e planejamento. E vamos te ajudar com isto!

Meu coro é muito “simples” e sem instrução musical. Mesmo assim,  consigo trabalhar um repertório diferenciado?

A minha formação em regência é limitada. Será que vou conseguir ensaiar e reger músicas com as quais não estou familiarizado?

Repertório novo e variado não é sinônimo de repertório difícil ou complicado! Tudo é uma questão de pesquisar músicas que sejam adequadas ao nível do seu coro e ao seu conhecimento técnico em regência e técnica vocal.

Eu não sei como nem onde posso conseguir um repertório mais variado!

Calma! Talvez esta seja a parte mais fácil da solução deste problema! No próximo artigo sobre este assunto,  darei alguns caminhos e fontes para um repertório variado e belo!


Na página principal do nosso BLOG estão outros assuntos que podem ajudar seu coro!


Aula Regência Coral Online

ATENÇÃO!

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Sou Altamiro Bernardes, maestro –
Academia Concerto Altamiro Bernardes

Trabalho há mais de 30 anos regendo corais. Tive minha formação como pianista e depois também estudei cravo. Foi através da Música Antiga que cheguei à Europa e, ali, tomei contato com uma sonoridade coral que me encantou! De volta ao Brasil fui estudar regência e buscar o desenvolvimento de um método de trabalho que, dentro da realidade brasileira, me proporcionasse ferramentas para trabalhar e alcançar resultados de alto nível. Em 2005 fui um dos fundadores da Academia Concerto e sou o Diretor Artístico nos últimos 13 anos. Meu trabalho tem sido preparar coros profissionais e amadores para concertos, festivais, turnês e concursos internacionais. Também sou professor de regência no Conservatório de Tatuí. Agora quero compartilhar com você os meus métodos de trabalho, que alcançaram 6 prêmios na Europa, reconhecimento no Brasil e ajudar o seu coro a alcançar o próximo nível!
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